Não existe vazio nas palavras.

As palavras encantam, impactam, rompem fronteiras.

As palavras são livres e encontram sentido dentro de cada um.

A palavra é

Janela

Mudanças faziam parte da vida dela: de casa, de cidade…  E começaram muito cedo, seguindo a família, com as transferências de emprego do pai.

Quase sempre era a mãe que fazia o comunicado: “Querida, venha aqui! Eu e papai queremos conversar com você.”

Imaginando o que viria depois, ela iniciava uma enxurrada de perguntas, num misto de alegria e ansiedade: “Para onde vamos agora? Como é a casa, mamãe? Qual é o nome da minha escola? Da minha janela, verei o céu?”

A mãe nunca entendeu essa coisa de janela, mas sempre dizia: “Ah! Penso que você verá um jardim, ou uma pracinha.” Ninguém sabia ao certo qual a vista da janela, no entanto, essa pergunta estava sempre presente.

Depois de um breve interrogatório, lá ia ela juntar seus tesouros para embarcar em mais uma aventura, mas não sem antes ouvir a famosa frase da mamãe: “E não se esqueça de separar para doação os brinquedos que não usa mais!”

 

Essa parte, um pouco difícil no começo, acabava ficando divertida, pois sempre havia espaço para as brincadeiras de despedida.

Assim, cresceu sem muitos apegos.

Hoje, já adulta, com a mesma alegria nos olhos e um pouco mais de ansiedade, ela se prepara: arrumando as roupas, arrumando a casa. Ela ainda não sabe, mas de todas as mudanças esta será a de maior intensidade: a bem-vinda maternidade.

A mãe chega para uma visita e a encontra sorrindo, olhando pela janela do quarto delicadamente preparado para a chegada do bebê. Um instante de silêncio e olhares. Desta vez, quem faz a pergunta é a mãe:

— Querida, sempre quis saber o porquê de seu interesse pelo que iria ver da janela do seu quarto quando nos mudávamos.

Ela sorriu novamente e disse:

— Podíamos estar em qualquer cidade, mas sempre que olhava pela janela e via o céu eu pensava: as estrelas continuam lá; a Lua continua lá; o Sol continua lá, e isso me dava uma sensação de muita segurança e liberdade.

— Agora — continuou ela — ao abrir minha janela, sinto a brisa quente da cidade, só deixando entrar com o vento o que trouxer felicidade, pois o meu maior tesouro aqui dentro será guardado.

E você, o que gostaria de ver da janela lateral do seu quarto de dormir?

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